sexta-feira, 31 de julho de 2015

Chapter 58

Diga que você está bem, lute contra a dor.
Tenho medo de que o amanhã esteja muito longe.”


Joe


Selena tremia, ainda abraçada a mim. Estávamos parados no meio da praia, vários curiosos estavam próximos a estrada, atrás da faixa de segurança que haviam colocado para que ninguém se aproximasse. Era incrível como as pessoas largavam o que estavam fazendo para ter o que fofocar no dia seguinte.
Senti uma mão no meu ombro, e assim que me virei, vi Dani parada do meu lado sorrindo fraco. Selena me soltou assim que a viu ali, e a abraçou. Eu nem sabia que elas se conheciam.


— Vocês não querem ver a Maddie? — Selena concordou voltando a me abraçar e eu apenas segui Dani. Assim que chegamos à frente de uma das ambulâncias — que estavam na estrada — um dos bombeiros pediu que eu entrasse antes, para que olhassem se eu estava com algum ferimento. Sel me soltou e fui com ele.
— A Maddie. Como ela tá? — por um segundo o homem que media minha pressão fez cara de confuso que logo sumiu.
— Ah. A menina. — assenti — Ela vai ficar bem. Sofreu alguns arranhões e está assustada, mas os outros enfermeiros estão com ela na outra ambulância. Estão a acalmando. — assenti o olhando tirar o aparelho do meu braço. Pegou uma daquelas lanterninhas do bolso e direcionou até meu olho — Você bateu em alguma coisa? — neguei com a cabeça. — Bem, parece que tá tudo bem com você. Vou pedir que depois vá até o hospital fazer alguns exames de reflexo, essas coisas.  — ele guardou a lanterninha no bolso novamente.
— A Demi? Conseguiram encontrar ela? — o bombeiro à minha frente respirou fundo — Eu tentei pegar as duas. Eu... — ele me cortou.
— Fica calmo. Você fez algo que nem meus melhores homens conseguiriam fazer em tão pouco tempo.
— Eu não posso ficar calmo sabendo que a deixei lá. — eu senti minha garganta arder, mas não podia chorar agora — Eu podia ter tirado ela. Se tivesse tentado mais um pouco.
— Você foi um herói de ter pegado a menina. — o homem forte e loiro disse apertando meu ombro direito e me encarando — Eles vão tirar a sua amiga de lá. Pode ter certeza. — assenti, e vi que Selena me olhava do lado de fora da ambulância. Olhei para o médico meio que pedindo permissão para sair e ele assentiu. Soltei um “Obrigado” baixo e desci do carro.
— A viu? — Selena assentiu. Ela abraçava os próprios braços.
— Ela tá bem. Está chorando ainda, mas os médicos estão conversando com ela. — assenti — Quer a ver? — assenti e vi que Selena iria voltar a chorar a qualquer momento. A puxei para perto de novo.
— Hey. Eles vão pegar ela. — disse tentando me convencer do mesmo — Os caras são bons. — ela concordou com o rosto ainda apoiado no meu peito. Eu conseguia imaginar que Selena estava sofrendo mais que qualquer um naquele momento. Beijei o topo de sua cabeça. Vi que alguém se aproximava correndo e levantei a cabeça vendo que era Nick. Um dos policiais ali correu atrás dele, mas eu fiz um movimento com a cabeça, mostrando que o conhecia.
— Desculpa não vir antes. — ele disse com a respiração fraca, mostrando que tinha corrido — Kevin ficou com Frankie em casa. Fui com meu pai até a casa da Demi. Amanda e Patrick estavam tentando acalmar Dianna para que os médicos da clínica pudessem a levar. — o encarei prestando atenção — Ela estava completamente fora de controle, Joe. Não consigo imaginar o que ela pode ter feito com a Demi. — Nick disse, os olhos mostrando que estava assustado.
— Eu imagino. — Selena sussurrou me soltando e secando o rosto. Eu e Nick a olhamos confusos. — Uma hora ou outra vocês vão saber. Não é algo que vá importar agora. — assenti junto com meu irmão.
— Eu vou ver a Madison. — falei e eles concordaram comigo. Reparei que Selena mantinha certa distância de Nicholas, mas decidi não tocar no assunto porque aquele não era o momento.


Quando entrei na ambulância vi Maddie sentada em uma das macas. Ela tinha apenas os olhos vermelhos, e tinha parado de chorar. O bracinho esquerdo estava enfaixado e estava preso no pescoço com outra faixa. E eles me disseram que eram só arranhões.


— Pequena. — disse e Maddie se virou para mim, deixando escapar um sorriso. Caminhei até ela e a abracei. A enfermeira que estava com ela na ambulância olhou para mim sorrindo e saiu, encostando a porta — Como você tá? — perguntei colocando o cabelo dela para trás. Madison tinha alguns arranhões na bochecha esquerda e outros no bracinho também esquerdo. Os cabelos ondulados estavam meio bagunçados e ela estava meio pálida. — Você não devia estar enrolada nisso aqui? — perguntei apontando para um edredom que estava na maca, do seu lado. Ela negou.
— Não gosto dele. Tem cheiro de remédio. — ri fraco, e o peguei colocando ao redor de Maddie que fez careta.
— Te prometo que assim que puder eu trago um bem cheirosinho pra você. — pisquei o olho e ela sorriu.
— Eu não quero, JJ. — ela disse fazendo bico.
— Você tem que ficar com ele. Ficou muito tempo na água fria, meu amor. — passei o polegar por sua bochecha que estava sem os machucados. — Promete que vai fazer uma forcinha? — ela assentiu.
—Joe? — ela me chamou, olhei para Maddie que agora estava com os olhinhos marejados — Cadê a Demi? Ela não saiu do carro? — senti minha garganta arder e meus olhos queimaram. Abaixei a cabeça tentando prender o choro. Como iria dizer a ela que não voltei para pegar a irmã? — Não chora, Joe. Ela vai ficar bem. Não vai? — olhei a garotinha sentada na maca que me olhava. Assenti pra ela que pegou na minha mão e deu um beijo delicado ali.


Foi quando ouvi barulhos altos e gritarias vindas do lado de fora. A porta da ambulância abriu e a enfermeira entrou indo até Maddie que estava tentando levantar para ver o que era. Olhei pra mulher que a segurava e ela assentiu, para que eu saísse. Vi a correria de bombeiros e vi que Selena chorava alto abraçada a Dani. Vi um dos bombeiros colocar um corpo sobre uma das macas e notei que era Demi.
— Demi! — Tentei correr até lá, mas outro bombeiro me puxou.

Selena


Assustei-me com a correria e vi que Joe tinha tentado se aproximar, sendo segurado por um dos médicos. Vi o corpo de Demi ser colocado numa das macas que foi apoiada na ambulância. Vi que ela tinha algo amarrado na testa e aquilo me preocupou.
Soltei-me de Dani e me aproximei, tomando cuidado para que nenhum dos enfermeiros achasse que eu estava tentando ultrapassar a distancia que nos era permitida. Fui para perto de Joe que discutia algo com o bombeiro que o segurava e apenas negava com a cabeça.


— O que aconteceu com ela? — cheguei a tempo de escutar ele perguntando.
— Ela engoliu muita água e pelo tempo que ficou na água fria o corpo perdeu a temperatura. — ele disse segurando Joe pelos ombros que parecia desesperado.
— E o que é aquilo na testa dela? — eu perguntei, apontando na direção em que vários enfermeiros estavam cercando a maca onde Demi estava. O médico abriu a boca, mas uma voz falou antes do outro lado.
— Não vai dar tempo de chegar ao hospital. — era uma mulher dizendo. Joe olhou desesperado para onde Demi estava e eu fiz o mesmo.
— Ela vai ficar bem. — O bombeiro disse.
— O que houve com a cabeça dela? — perguntei de novo.
— Ela bateu no carro. Acho que quando tentou sair. — Joe gemeu do meu lado e eu segurei sua mão.
— Foi minha culpa. Se eu tivesse tirado dela. — ele disse baixo, senti que prendia o choro.
— Vai ficar tudo bem. — eu disse. Joe se soltou de mim e tentou correr até Demi.
— Os batimentos — a mesma voz disse novamente, e eu tive vontade de socar aquela mulher. O bombeiro puxou Joe de lá, e o segurou dando tempo dos outros médicos empurrarem a maca de Demi para ambulância e fechar.
— Por que não me deixam ver ela? — ele gritou se debatendo, tentando se soltar do médico. Depois de algum tempo, vi Joe cair de joelhos no chão e corri até ele. Olhei para o bombeiro e mexi a cabeça dizendo que eu iria cuidar dele. Ele assentiu de volta e correu para ambulância que logo saiu. Abracei Joe que soluçava alto.
Olha pra mim... — prendi seu rosto entre minhas mãos o fazendo me encarar — Ela vai ficar bem. Ela sempre fica. A Demi é a pessoa mais forte que eu conheci em toda minha vida. — Joe assentiu e se encolheu. O puxei novamente o abraçando. As roupas dele estavam molhadas ainda, e ele acabaria ficando doente — Vamos para casa. Você troca de roupa e nós corremos para o hospital.
— Eu quero ver ela. — ele disse. O choro cessando.
— Joe, você não vai ajudar em nada pegando uma gripe. A gente não pode fazer nada agora no hospital. Eles vão cuidar dela. — ele levou um tempo pensando, mas acabou assentindo. Levantamo-nos e escutei Nick se aproximando.
— Dani foi com a Maddie para o hospital. — ele disse e eu assenti.
— Tá de carro, Nick? — ele assentiu — Tem como levar a gente para casa? Joe tem que trocar de roupa. — ele concordou. No final Nick disse que minha mãe tinha ido para o hospital para ficar com Demi, e que o pai deles iria levar o carro de Joe para casa.
O caminho havia sido silencioso, nenhum dois três quis conversar. Assim que Nick estacionou na frente de sua casa, entramos e Joe subiu para tomar banho, Nick foi até a cozinha fazer algo para Joe comer, já que não tinha comido nada desde cedo. Sentei-me num dos sofás na sala e peguei o telefone para telefonar para minha mãe.


— Selena. — escutei ela dizer do outro lado da linha.
— Oi. Como estão as coisas aí? — escutei minha mãe suspirar.
— Cheguei aqui e tinham levado Demi para a sala de raio x. Por ela ter batido a cabeça. — senti meus olhos se encherem de lágrimas — Ela vai ficar bem, Sel.
— Eu sei que vai. — passei a mão nas bochechas as secando — Maddie?
— Decidiram trazer ela também. Ela não parava de chorar e não queria tomar os remédios. Eu tive que ir lá e conversar com ela. Tá tudo bem agora. — soltei uma bufada de ar. Madison era tão pequena e já tinha que passar por tudo aquilo. — Como tá o Joe? — minha mãe perguntou.
— Ele foi tomar banho, e trocar de roupa. Nick foi fazer alguma coisa para ele comer. — escutei algumas vozes.
— Eu vou lá, Sel. Vou ver a Maddie.
— Tudo bem. Só vamos esperar Joe e já vamos para aí. — me despedi de minha mãe e desliguei o celular. Olhei a hora e iriam dar 19.


Hey, pessoal! Aqui é a Polly, e antes de tudo, queria pedir mil desculpas para vocês.
Sei que a gente ta vacilando muito com o lance de demorar a postar, mas é porque as coisas não estão fáceis. Eu termino a escola este ano, a Du também tem as coisas dela pra resolver e o último mês foi terrível pra mim já que fiquei doente e tudo mais.
Eu espero que vocês não fiquem muito chateadas com isso, mas é que realmente ta díficil </3. Nós amamos vocês, amamos o blog e estamos fazendo de tudo pra manter ele (mesmo que postando muito raramente).
Esperamos que gostem deste capítulo. Não respondi os comentários pq muito tempo então :(
Lemos todos eles e agradecemos por não desistirem da gente.
Beijos, e até a próxima!

@DudaMarquesR @Polly_Cruz98

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Chapter 57


“Mesmo que nossos caminhos não voltem a se cruzar,
a partir de hoje estaremos na mesma estrada.”

Joe

Desci as escadas que davam para o térreo da casa enquanto colocava o primeiro casaco que tinha encontrado. Fechei as portas da frente e encontrei meu pai, Nick, Kevin, Dani e Frankie sentados ao redor do que eles chamavam de “fogueira improvisada”.
— Onde vai? — Nick perguntou e eu me virei para ele com a respiração meio desregular pela corrida.
— Selena me ligou, disse que aconteceu alguma coisa com a Demi e com a Maddie. Vou lá ver o que foi. — eu disse me virando novamente, mas desta vez meu pai me chamou. Respirei pesadamente e encarei o homem à minha frente. Camisa polo clara e calça jeans. No rosto estava o par de óculos que ele não podia tirar nem por um segundo.
— Joe, não acha que está se metendo muito nessa história? Vocês dois não estão mais juntos. — ele disse calmo. Nick tinha puxado aquilo dele, mas eu não tive a mesma sorte e puxei a parte impaciente de minha mãe. 
— Eu sei. — soltei o ar pelos lábios de forma cansada. — Mas antes de qualquer coisa ela é minha amiga. — ele assentiu, demonstrando ter entendido. Apertou um dos meus ombros com a mão e me puxou para um abraço. Aquilo tinha vindo em ótima hora e conseguiu me acalmar um pouco.
— Liga para casa. Para nos dizer o que houve... — disse depois de me soltar. Assenti e acenei rápido com a mão para Nick, ainda sentado na frente da fogueira e o único que prestava atenção na cena de longe. Corri até o carro que estava estacionado na entrada da garagem e me joguei lá dentro. Girei a chave e logo estava dirigindo até a casa de Demi.
O caminho não era tão longo, coisa de 2 ou 3 quarteirões. Mas, quando se tem pressa, até o menor percurso parece ser longo.

Desci do carro correndo e bati a porta atrás de mim. A rua estava apenas iluminada pela luz do poste a poucos metros da casa em que parei. Virei o rosto para todos os lados antes de ver Selena sentada encostada à cerca. Uma das pernas esticadas, enquanto a outra estava dobrada. A cabeça apoiada no joelho que estava no alto e de longe pude ver que ela soluçava.
Selena chorando não era uma coisa fácil de ver. Corri até ela e me ajoelhei ao seu lado. Selena levantou a cabeça e me encarou. Os olhos estavam vermelhos e ela secou as bochechas.
Ela praticamente se jogou em cima de mim e colocou os braços ao meu redor. Abracei-a com força e depois a afastei, a segurando pelos ombros.
— O que aconteceu? — ela abaixou a cabeça e voltou a chorar.
— A Demi saiu correndo daqui com a Madison. Eu sinto que vai acontecer alguma coisa ruim. — ela soluçou alto. — E eu nunca vou me perdoar, Joe. Eu prometi para você que ia cuidar dela. Eu prometi. — ela voltou a chorar.
— Hey, Sel. Tá tudo bem. — coloquei a mão de leve em seu ombro. — Eu vou procurar elas, ok? — ela assentiu secando as bochechas. — Dianna está lá dentro sozinha? — Selena negou.
— Eu ia mostrar umas fotos para Demi e ela saiu daquele jeito. Minha mãe ouviu meus gritos e veio ver. — ela suspirou. — Ela tá lá dentro com a tia Di e o tio Patrick, que chegou tem pouco tempo. — Achava incrível Selena chama-la de tia com tanto carinho pelo tamanho da dor que ela tinha causado à Demi. Daria tudo para descobrir o que tinha acontecido em 4 anos para Dianna ter ficado deste jeito.
— Eu vou procurar elas. — Selena concordou com a cabeça e eu me levantei a ajudando a fazer o mesmo.  — Você ligou para Demi?
— Liguei. Mas ela não me atende. Talvez se você tentar. — assenti pegando o celular no bolso e discando pela chamada rápida. Depois de certo tempo chamando e pela 3 ª tentativa, Demi me atendeu. — Demi? — chamei-a.
— Oi. — sussurrou do outro lado da linha.
— Presta atenção: volta para casa. Eu estou aqui, Sel também. Seja o que for que Dianna tenha feito ou falado com você, ela não vai mais fazer isso. — escutei o choro fraco dela por alguns segundos. — Demi...
— Não dá, Joe. — ela suspirou — De verdade, não dá. Você não entende.
— Eu posso não entender, mas quero você bem. Desliga esse celular e volta. Pensa na Maddie. — escutei Madison falar algo no fundo da ligação, mas não tinha conseguido entender. — Demi? — escutei alguns barulhos misturados com alguns gritos. — Demi? — dessa vez gritei. Ela não respondeu. Logo o conhecido barulhinho irritante que avisava que a ligação tinha sido perdida começou a ecoar do outro lado. Desliguei o celular, o colocando no bolso. Me virei voltando para o carro.
— O que aconteceu? — Selena perguntou segurando meu braço.
— A ligação caiu. Pedi a Demi para voltar, ela disse que não. E a ligação caiu. — eu disse desesperado. — Teve uns gritos, uns barulhos. Eu vou procurar elas. — disse me desfazendo da mão de Selena.
— Por favor, Joe. Você também não. — ela voltou a chorar. Parada na calçada, de dentro do carro, olhei para Selena que me olhava como um olhar suplicante.
— Eu vou ficar bem. Tenho que achar elas. Liga para o Nick e avisa a ele e ao meu pai. — ela assentiu. O carro já estava ligado e não demorou muito para pegar.
— Joe, toma cuidado. — ela segurou minha mão que estava em cima do volante e eu assenti para ela.
— Eu sempre tomo. — ela sorriu fraco. — Ligo assim que encontrar as duas. — Selena concordou e tirou a mão de cima da minha. Pisei no acelerador, seguindo para direção contrária à qual eu vim. Tinha certeza que Demi não tinha ido para o outro lado, pois, se tivesse, teria encontrado com ela no caminho. Cidade pequena até que tem suas vantagens.

Demi

Percebi que aquilo não ia terminar bem quando eu não estava sentindo meu corpo direito. Na verdade, eu não sentia nada. Nem mesmo dor. Escutei Maddie chorando no banco de trás. Eu queria falar. Tentar a acalmar, mas foi como se não encontrasse voz. Tentei abrir os olhos pra vê-la mas eles pesaram. Depois de certo esforço, consegui abri-los. Mas tudo à minha frente parecia borrado. Me mexi, tentando me virar para ver Madison, e senti o carro balançar. Parei em instinto, tentando fazer o carro voltar para o lugar que estava, mas o mesmo acabou virando. Maddie gritou e, quando o carro parou de cair, houve barulho de água ao redor. Quando virei o rosto tentando ver do lado de fora, notei que estávamos boiando e não iria demorar para o carro afundar.
Tentei me mexer de novo, dessa vez mais desesperada que antes. Pelo menos uma de nós tinha que sair viva dali.
E eu não tinha duvidas de quem eu queria que sobrevivesse.

Joe

Segui pela estrada que era o único caminho para sair da cidade. Começava a escurecer e eu sabia que quanto mais tarde, mais difícil seria. Olhei para todos os lados tentando encontrar indícios do carro de Demi, mas tudo o que eu conseguia ver era, de um lado, uma praia que não tinha ninguém e, do outro, apenas árvores e algumas pedras altas.
Parei o carro devagar quando vi uma aglomeração do outro lado da rua. Encostei o carro no canto e desci me aproximando devagar.
— Acho que o motorista perdeu o controle. A estrada está escorregadia pela chuva da última noite. — um homem alto, que vestia umas roupas que eu julguei ser da policia de trânsito, disse para as outras pessoas paradas no local.
— “A” motorista. — a mulher ruiva a sua frente o corrigiu. — Era uma moça que dirigia. Eu vi quando ela nos ultrapassou. — ela disse de forma triste. — Tinha uma criança atrás.
— Conhecia elas? — o homem perguntou. Atravessei a rua correndo, indo em direção à praia. Algumas pessoas olharam assustadas para mim e um dos policiais acabou me segurando. Resmunguei tentando me soltar.
— Tá maluco, garoto? Você não pode ir aí! — o homem moreno que tinha mais ou menos minha altura disse. — Os bombeiros já estão a caminho. — parei de me debater. — Posso te soltar? — assenti e o policial soltou meus braços. Respirei fundo antes de voltar a correr e descer o barranco que dava em direção à praia.
— Demi! — gritei quando cheguei à praia. Daquele lado havia uma pequena faixa de areia e se eu desse poucos passos poderia estar dentro d’água. Peguei o celular pra tentar iluminar o lugar que já estava escuro.  Vi algo dentro da água e apertei os olhos. Tudo indicava que era um carro. Tirei o tênis e o coloquei no chão, o celular do lado. Entrei na água e tremi quando senti que estava gelada. — Maddie! — gritei tentando ignorar o frio que já começava a se espalhar por meu corpo. Nadei até o carro e notei que ele não tinha virado. Ele parecia boiar. Olhei pela janela e vi Demi no banco do motorista, a cabeça jogada de lado. Tentei abrir a porta da frente, mas ela parecia emperrada. Puxei a maior quantidade de ar que coube em meus pulmões e mergulhei, tentando encontrar a maçaneta do carro. Puxei, mas de nada adiantou. Voltei à superfície, dessa vez a água parecia estar mais forte e o céu já estava escuro.
Dei alguns socos na janela e vi Demi levantar a cabeça com dificuldade para me olhar. Ela sorriu fraco e esticou o braço tentando abrir a janela.
— JJ! — escutei Maddie me gritar da parte de trás. Ela chorava assustada. — Eu sabia que você ia vir salvar a gente. — ela disse enquanto eu me jogava pra dentro do carro entrando pela janela.
— Eu sempre venho. — ela sorriu enquanto eu abria o cinto de segurança da cadeirinha e a puxava.
— Demi? — a chamei e ela me olhou, os olhos marejados.
— Tira ela daqui, Joe. — disse com dificuldade.
— Vou tirar as duas. — eu disse, enquanto trazia Maddie para perto do meu peito e tentava abrir o cinto de Demi com a outra mão.
— Tira a Madison! — ela implorou, o choro tomando conta dela. O carro fez um barulho alto e inclinou para um dos lados, fazendo que a água entrasse pela janela aberta. — Anda, Joe. — tentei encontrar a ponta do cinto que estava presa. Ela empurrou minha mão. — Por favor, sai daqui.
— Demi, eu não... — ela assentiu em silêncio. — Eu vou tirar você daqui, eu prometo. — me estiquei beijando o topo de sua testa. Ela sorriu fraco e passou a mão de leve no cabelo de Maddie que se encolheu me agarrando e voltando a chorar. Ajoelhei-me no banco de passageiro, enquanto empurrava com força a maçaneta da porta conseguindo a abrir.
— Joe. — escutei Demi me chamar baixo. — Obrigada. — assenti uma vez, enquanto prendia Madison com força pelo outro braço e a levantava para que a cabeça dela ficasse acima do nível da água. Nadei com dificuldade até a faixa de areia e cai de joelhos, um dos homens com uniforme de bombeiro jogou uma toalha na pequena em meu colo e, a pegando, correu com ela para algum lugar que eu não vi.
Levantei-me  decidido a voltar para água para pegar Demi, mas alguém jogou uma toalha nas minhas costas e segurou meu braço. Encarei Selena que envolvia o pano em mim.
— Eu tenho que voltar para pegar a Demi. — disse tossindo um pouco e acabei cuspindo água que eu nem sabia que tinha engolido.
— Joe, você tá bem? — ela me segurou com força e eu assenti.
— Eu vou... — ela apertou a mão no meu braço.
— Não. Você não vai. — Selena disse séria, os olhos vermelhos. — Os bombeiros já foram pegar ela. Você foi louco de se jogar nisso aí e tentar pegar as duas. Você viu como tá o mar? E você não tinha proteção nenhuma. — ela começou a chorar. — Eu pensei que ia perder vocês três hoje,  Joe. — a puxei para um abraço. Selena tinha o corpo frágil e magro e ela pareceu cada vez menor enquanto meus braços a envolviam. Enquanto a abraçava, notei os bombeiros entrando na água.
Eu ficaria mais calmo.
Se pudesse ver o carro.

Demi

Logo que Joe saiu com Maddie, eu voltei a tentar tirar o cinto. Senti lágrimas brotarem dos meus olhos quando notei que a água estava invadindo o carro. Empurrei o cinto com força e, depois de umas 3 vezes, a parte que o prendia ao carro acabou quebrando. Arrastei-me até o banco de passageiro, sentindo a água gelada do mar bater em minha pele e arder onde havia um corte em minha calça jeans, tomado de sangue.
Respirei fundo e sai do carro, a água estava forte e senti-me sendo levada por ela. Tentei me segurar na porta e notei que o carro já estava cheio d’água e iria começar a afundar a qualquer momento. Tentei me afastar e vi que parte da minha blusa tinha ficado presa. Puxei o tecido com força, mas de nada adiantou.
Comecei a ficar mais desesperada do que estava quando vi que o mar começou a ficar agitado. Um vento forte começou a soprar e eu não estava conseguindo enxergar direito.
Uma onda me assustou. Era incrivelmente maior que as outras.
Minha primeira reação foi puxar todo o ar que eu consegui e mergulhar, tentando puxar minha blusa com mais força. Quando senti a onda chegar até onde eu estava. A água gelada bateu no meu rosto de surpresa, o que fez com que água entrasse por meu nariz e boca.
Tossi sentindo meu nariz arder junto com a minha garganta e tentei  a mesma ação de antes, puxando um pouco de ar com dificuldade já que tinha engolido bastante água.
Quando voltei a superfície e olhei para o lado, foi o tempo de apenas fechar os olhos e prender a respiração. Uma outra onda se aproximou, mas eu não estava nem um pouco preparada para aquela. Ela me empurrou com força, o que fez com que minha cabeça batesse com força na porta.
E bom.
Depois disso.

Mais nada.

Olá!!! Duda aqui, tudo bem, pessoal?
Desculpem a demora pra postar, a gente não teve muito tempo ultimamente. Mas tá aí, esperamos que gostem :) (capitulo meio trágico mas faz parte)
A Polly respondeu os comentários do último post, é só entrar aqui pra ler.
Então, aproveitem o Carnaval e se cuidem!!! Até a próxima <3

Beijos,
Duda.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Chapter 56

“Distância, tempo, separações, brigas.
Silêncio. 
O trem saiu do trilho.”

Depois de virar a chave na fechadura da porta, entrei em casa logo depois de Madison. O silêncio dominava todo o ambiente e tudo que eu fiz foi arrumar a bolsa no ombro. Depois de correr até a sala e voltar, Madison alegou estar com sede, o que me fez ir até a cozinha com ela.
Parei por impulso na porta quando vi minha mãe de costas para nós duas, fazendo alguma coisa no fogão.
— Meninas. — escutei ela dizer enquanto eu caminhava até a geladeira pegando a jarra de água. Maddie, que estava parada ao meu lado, se surpreendeu quando Dianna lhe abraçou. Ela devolveu de jeito desajeitado e me encarou. Os olhinhos assustados já que ela sabia que, sempre que Dianna tinha esses ataques de maternidade, não vinha coisa boa depois. Dianna deu um beijo na bochecha de Maddie que, assim que ela se virou para me abraçar, limpou a bochecha. Sorri fraco para ela e Dianna me segurou pelos ombros, me encarando. Ela sorriu e eu notei algo estranho em seu olhar. — Então, — caminhou até o fogão novamente — como foi o dia de vocês?
— Normal. Não aconteceu nada de diferente. Foi o de sempre. — falei encarando suas costas enquanto ignorava Maddie me olhando.
— E você, meu amor? — perguntou a Maddie, ainda de costas. Mexi os lábios num “não fala do Joe” e Maddie assentiu.
— Nada, também. Nós brincamos de massinha e colorimos. Depois fomos passear no parquinho. — respondeu enquanto vinha até meu lado. Apoiei-me na bancada que tinha no meio da cozinha e Maddie cobriu meu dedo indicador direito com a mãozinha.
— Falando em colorir, por que não vai pegar umas folhas no seu quarto enquanto eu termino o jantar? — ela olhou para Maddie e sorriu. Senti a pequena apertar meu dedo e notei que os dela estavam gelados. — Demi, não quer me ajudar? — perguntou já de costas enquanto abria o armário, procurando alguma coisa.
— Tudo bem. — respondi e Maddie pediu minha bolsa para levar para meu quarto. Assenti em silêncio passando para ela, a observei passar pela porta e logo sumir no hall que dava para as escadas. Fui até a pia e lavei as mãos, tentando não ligar muito para o silêncio que ficou ali depois que Maddie saiu. Esperei ela me mandar fazer alguma coisa, mas nada foi dito. — O que eu posso fazer? — perguntei. Dianna me olhou e foi ali que eu tive certeza de que tinha alguma coisa errada.
— Há muito tempo que eu deixei de fazer parte das coisas importantes da sua vida, não é? — engoli em seco e fingi não entender a pergunta. Não tinha saída mesmo, qualquer coisa que eu falasse agora não ia fazer diferença.
— Por que tá dizendo isso? — encarei minhas mãos e Dianna começou a mexer nervosamente na panela com uma colher de madeira.
— Fico feliz que tenha feito outras amizades, Demetria. — ela disse — Sabe, é muito bom pra uma mãe ver que sua filha tem com quem contar caso aconteça algo com ela. — dei dois passos para trás, parando do lado da bancada que havia no meio da cozinha.
— O que... — ela riu, o que me fez dar mais alguns passos, ainda de costas. Fechei minhas mãos por impulso e percebi que não tinha as secado. Esfreguei as duas nas pernas da minha calça jeans.
—  Um namorado novo, hein, Demetria? — ela se virou para mim. Meu coração saltou de forma pesada em meu peito. Do que ela estava falando?
— Mãe, de verdade, não sei do que está falando. Eu... — ela sorriu de um jeito que não restava dúvidas de que aquilo seria mais uma de suas crises. — Quem falou isso para a senhora? — a encarei tentando, talvez, mostrar que não tinha medo. O que era uma grande de uma mentira.
—Uma amiga sua. Acabei de dizer. — revirou os olhos.
— Que amiga? Sel? — Selena era a única que sabia de toda história. Tudo bem que agora Vanessa sabia também, mas eu tinha minhas dúvidas de que, no estado em que Dianna se encontrava, ela iria conseguir culpar outra pessoa a não ser a Selena, quem praticamente viveu a história comigo.
— Não. Não vejo a Selena há um bom tempo. — ela disse enquanto pegava um pano de prato que estava na bancada. — Ela estava passando aqui na frente enquanto eu estava na varanda. Muito bonita, por sinal. — ela sorriu. — O nome dela é Ashley. — ela óbvio de que ela de alguma maneira descobriu que minha mãe voltaria esta semana para casa e se aproveitou. Porque, claro, por quais motivos Ashley estaria passando na frente de nossa casa se ela mora no outro lado da cidade?
— Ela não é minha amiga. — queria acrescentar que não considerava ela nem minha colega de classe, mas eu poderia sair como a ruim na história. Mais do que eu já iria sair, talvez.
— Por favor, Demetria! Não venha mudar de assunto. Quem é o garoto? Não seria educado da sua parte o trazer para conhecer seus pais? — ela me encarou, os olhos me fuzilavam e eu me lembrei de Madison no andar de cima. Seja lá o que ela tinha arrumado para fazer lá, eu rezava para que demorasse até eu conseguir fazer Dianna se acalmar de novo. Ou até meu pai aparecer.
— Mãe. Presta atenção. — respirei fundo. — Não tem ninguém. Eu não estou namorando. — e não estava mesmo.
— Eu ainda não consigo entender como você acha que consegue me fazer de idiota. — ela jogou o pano com força em cima da mesa. — Quando iria me falar que ele tinha voltado?
— Mãe... — ela me interrompeu, dessa vez gritando.
— O que você quer?  Deixar ele te engravidar de novo e te largar? — abri a boca para falar, mas minha voz não saiu. — Eu deixei você ficar com essa menina. Mas faz de novo e vê se eu não faço você tirar. Nem que seja a força! — ela gritou.
— Para... Por favor. — eu disse desesperada, em meio às lágrimas. — Ele não me abandonou. — disse soluçando logo depois.
— Ele abandonou, sim! — gritou dando um soco na bancada, o que me fez dar mais vários passos para trás. Senti um dos grandes armários da cozinha atrás de mim. — E ele vai fazer de novo se você não acordar, se não aceitar que você tem que crescer uma hora. Tem que colocar nessa cabeça oca que isso aqui não é um conto de fadas. — ela falou, abaixando o tom. A voz tomava um tom ameaçador, o que me fez tentar, com custo, engolir o choro. — Você não é a princesa em perigo que precisa ser salva da sua vidinha medíocre, Demetria. E o Joseph muito menos é o príncipe que vai te tirar disso. — ela sorriu de forma um tanto assustadora. — A nossa vida não precisava estar esta droga que é hoje. Se você ao menos tivesse me escutado uma vez... Apenas uma.
— Te escutar para que? — eu disse com a voz embargada. — Você queria tirar a minha filha de mim. Eu nunca iria concordar. — eu falei enquanto encarava o chão. Ela se aproximou, segurou meu rosto com força fazendo-me a olhar.
— Você perdeu uma parte da sua vida por capricho. — Dianna me encarou com desprezo. — Poderia ter vivido sua adolescência como uma menina normal. — meu maxilar doía pela força que ela fazia com os dedos.
— Posso ter perdido uma parte da minha vida, mas eu tenho a Maddie. E eu prefiro do jeito que está. — disse, quase que num sussurro. Mas tinha certeza de que ela tinha escutado.
— Você prefere? — ela riu. — Como você prefere, Demetria? Fui eu que sustentei você e essa criança desde que você me apareceu com essa história. — ela disse, apertando mais meu rosto. — Ela é muito mais minha filha do que sua. — quando achei que ela já estava chegando ao ponto de partir meu maxilar, ela o apertou mais. Senti a dor piorar e empurrei seus braços, tentando me livrar dela.
Era toda vez isso. Dianna surtava e me agredia. E, bem, os médicos sempre disseram que durante os surtos o doente adquire muito mais força. E eu poderia fazer um relatório provando isso.
Quando consegui me livrar dos braços dela com o resto de força que eu tinha, senti-a acertar minha bochecha com a mão. Fechei os olhos e as lágrimas transbordaram deles. Talvez mais pela dor de ter minha mãe fazendo aquilo comigo do que pela dor física.
— Demi? — escutei a vozinha de Maddie vinda do hall da casa. Abri os olhos e a vi assustada, tentando digerir o que estava acontecendo. — Você bateu na Dems? — fechei os olhos de novo. Eu tinha feito de tudo pra Maddie nunca ter que presenciar isso. — Por que fez isso? — sua voz anunciava que poderia cair no choro a qualquer momento.
— Você cala a sua boca, se não quiser... — a empurrei. Dianna pareceu não esperar aquilo, o que fez com que ela se desequilibrasse e caísse no chão.
— Você, não encoste um dedo nela. — falei baixo. Imaginei se tinha saído ameaçador ou se ao menos tinha feito algum som. — Você não tem direito nenhum de fazer isso.
— Do mesmo jeito que você não tinha direito de fazer o que fez. E fez. — ela sorriu se levantando. — Ela é minha filha, Demi. Mesmo que só naqueles papéis guardados dentro da primeira gaveta da cômoda em meu quarto. — ela me encarou. — Mas mesmo assim, ela ainda é minha filha. E nem você pode discordar disso.
Corri até o hall, tendo tempo só de pegar a chave do meu carro na mesinha de canto que estava ali e pôr no bolso, segurar Maddie pela mão e abrir a porta logo depois.
— Onde a gente vai? — ela perguntou, tentando acompanhar meus passos rápidos. Encontrei com  Selena abrindo o portão que separava o terreno da minha casa com a calçada da rua, mas não parei para escutar o que ela tinha falado. — Dems, está doendo muito? — escutei Maddie perguntar baixinho. Respondi um “não” fraco, e segui até meu carro que estava parado na porta da garagem pelo acontecido de hoje cedo.
Abri a porta de trás, tentando reunir o pouco de concentração que tinha pra colocar Madison na cadeirinha no banco de trás. Vi que Selena tinha ficado no portão da minha casa e só começava a correr até nós naquele momento. Fechei rápido a porta de trás e andei rápido até o banco da frente. Tranquei as portas e Selena parou do lado da minha janela.
— Demi, o que foi? Onde está indo? — deixei a cabeça tombar pra trás e voltei a soluçar alto. Fechei o vidro do meu lado e escutei Selena bater nele com força. — Demi, abre esta porta! — escutei ela gritar, o som abafado por vir do lado de fora — Demi, você não pode sair assim. Por favor! — dei marcha ré com o carro e senti que ele tinha batido em alguma coisa leve, talvez uma lixeira. — Demi! — ela gritou parada na frente da minha casa. Continuei dirigindo, tentando não prestar atenção em Selena.

Selena

Levei certo tempo até conseguir entender o que estava acontecendo. Só poderia ser Dianna.
Depois de pegar o telefone e tentar ligar para Demi, o que foi em vão, decidi ligar para o primeiro nome que veio à minha cabeça naquela hora.
— Sel? — escutei a voz do outro lado do telefone. — O que aconteceu?
— Eu não sei, Joe! — eu disse tentando controlar o choro. — Eu estava vindo à casa da Demi e encontrei-a saindo com a Maddie. Ela estava chorando muito e entrou no carro. — senti um soluço escapar.
— Por que não a segurou? Caramba, ela tinha dito que a Dianna estava mais calma. — ele disse meio que resmungando a última parte.
— Eu tentei. Juro que tentei. Mas quando cheguei perto ela já tinha entrado no carro. — acabei me entregando ao choro novamente.
— Calma, Sel. Respira. — Joseph disse tentando parecer calmo do outro lado do telefone. — Onde você tá?
— Na frente da casa dela. — escutei um barulho de algo quebrando na casa atrás de mim. — Acho que a Dianna está lá dentro ainda.
— Tá ok. — Joe disse do outro lado — Eu estou indo para aí.
— Ok. — resmunguei e desliguei o aparelho na minha mão.

Respirei fundo e inclinei a cabeça para o alto, encarando o céu estrelado. Estava muito bonito para uma noite que eu sentia bem lá no fundo que não iria terminar bem. Se tinha alguém lá em cima, eu esperava que cuidasse da Demi e da Madison.

Amores! Tudo bem? Como sempre, a gente aparece aqui depois de anos e sempre com desculpas. Queria muito entender como ainda tem tanta gente lendo isso aqui, sério! Nossa, amo demais vocês <3. 
A gente some, e aparece com um capítulo desses. Eu sei, pode bater. Mas é o seguinte: Isso já estava planejado desde o começo, a gente só quis adiantar um pouco. 
Espero que tenham gostado, e digam nos comentários sobre o que acham que vai acontecer (Tantas coisas... Vai que vocês acertam uma?). Os comentários estão todos respondidos, então, quem quiser ver. 
É isso <3
Beijos, Polly.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Chapter 55


“Pense em quanto amor vem sendo desperdiçado”

Demi

             Depois da conversa com Vanessa era como se eu mesma tivesse mexido em todos os bandaids que eu tinha colocado na ferida.  A culpa que eu sentia por toda aquela mentira me acertou em cheio e eu queria deitar e chorar novamente.  Talvez tivesse feito isso mesmo, se Maddie não estivesse sentada do meu lado na mesa terminando de tomar seu suco.
A vontade era de correr até a casa de Joe e dizer pra ele que eu ainda o amava com todas minhas forças e que tínhamos uma filha juntos.  A nossa Maddie.
Mas eu sabia que não podia. E eu não iria estragar tudo porque não aguentava guardar o segredo, que no fim era mais culpa minha do que de qualquer outra pessoa.      
— Demi? — Maddie me chamou e eu olhei-a. Ela encarava o restante do suco que tinha em seu copinho e parecia concentrada naquilo. — Eu estava pensando numa coisa. — ela me olhou.
— Posso saber no que estava pensando? — ela assentiu. Sorri fraco pra ela como quem pedia pra continuar.
— Você não acha que eu já posso ter uma biciquéta? — acabei rindo com o erro e ela fechou o rosto me fazendo voltar ao normal.
— Opa, desculpa. — ela me deu língua — Mas porque a mocinha quer uma bicicleta? — bati o dedo de leve na ponta do nariz dela.
— Para andar, ué. — revirou os olhos. Levantei a sobrancelha esperando a resposta esperada. — Não sei, eu queria ter uma. Você pode me ensinar a andar, ou, então, a tia Sel... — “Ou o Joe” pensei. — Ou o JJ, né? — completou e, pela sua feição, ele foi sua primeira opção desde o começo.
— A gente pode pensar nisso. Mas você vai ter que usar a de rodinhas primeiro, tá? — ela abriu a boca parecendo indignada. — Todo mundo já usou com rodinhas, Maddie.
— Até você? — assenti — A tia Sel e o JJ também?
— A Tia Sel e o Joe também. — mexi no cabelo dela tentando arrumar uns fios que estavam para o alto. — E olha que a Selena demorou bastante para aprender. Se for olhar muito bem, ela não sabe fazer isso até hoje. — Maddie gargalhou jogando a cabeça pra trás e eu apenas sorri olhando-a.


Vanessa

Por que a gente simplesmente não se apaixona por quem nós queremos? Por que isso simplesmente não some quando você não quer mais saber da pessoa?
A dor era tanta em meu peito que eu poderia a comparar a um pedaço de papel pegando fogo lentamente.  Eu já tinha o coração quebrado e com o tempo eu tentei juntar os pedaços. Eu juro que tentei. E estava conseguindo viver deste jeito até ele voltar.
Eu sempre iria me perguntar por que e para que ele voltou. Eu não conseguia mais acreditar que era por minha causa, ou até por Logan.
Não posso dizer que não sei por que tinha ido até aquela lanchonete, porque eu sabia. Eu fui lá pelo simples fato de querer ouvir alguma coisa da boca dele. Mesmo que fosse mentira. Eu só não queria ter que aguentar aquilo sem Zac ter me dito alguma coisa. Eu acreditei fielmente que poderia seguir mesmo com uma desculpa qualquer dele.
Mas ver ele com outra menina foi como voltar a sete anos atrás. Lembrar-me das malditas lembranças que eu demorei tanto para conseguir soterrar e que, na hora em que vi a cena, vieram juntas e pareciam me socar por todos os lados.
Da primeira vez que nos falamos. Do nosso primeiro beijo.  De quando fugíamos para aquela porcaria de lanchonete nas aulas vagas. De quando Ashley me disse que tinha o visto com Lily. De todo o tempo que eles ficaram juntos, até quando Lily me contou que estava grávida, pedindo desculpas e tudo mais. Quando ela sumiu de casa e deixou uma carta me pedindo pra cuidar de Logan como se fosse meu. Porque essa era a verdade.
Entrei em casa em silêncio e agradeci imensamente por não ter encontrado com meus pais no caminho até o quarto de Logan. Abri a porta de leve e, para quem só queria ter certeza de que ele estava dormindo, acabei me sentando na ponta de sua cama e mexendo em seus cabelos. Ele era a cópia perfeita de Zac. Sem tirar nem pôr. A única coisa que tinha de nossa família era os cabelos que eram castanhos, mesmo assim puxados para o dourado lembrando os do pai.
Saí do quarto de Logan, caminhando em silêncio até o meu. Encostei a porta, joguei a bolsa que estava com minha roupa da noite passada em qualquer canto e fui até o banheiro tomando um banho rápido.  Joguei-me na cama e fechei os olhos, tentando pegar no sono e esquecer pelo menos um pouco a noite anterior.
               

Demi

Eram quase 11 horas e meus pais ainda não tinham voltado de seja lá onde que eles tivessem ido.  Estava sentada no tapete da sala, Maddie tinha acabado de sair do banho e eu repartia o cabelo dela em dois.
Não vou mentir dizendo que estava a fim de ir pra cozinha, mas também não queria muito sair para comer. Mas minha digníssima filha tinha do nada lembrado da lanchonete de nossa prima e fazia mesmo algum tempo que eu não falava com a Tiffany ou a via.
Depois de terminar de pentear o cabelo de Madison, e a ajudar com os sapatinhos cor de rosa, terminei de pentear o meu e peguei uma bolsa qualquer jogando coisas que eu talvez fosse precisar.
Peguei Maddie no colo depois de trancar a porta e segui até o carro, mas a mesma bateu pé dizendo querer ir andando.
— Mas é um bom pedaço, Madison. Você não vai aguentar andar. — ela me deu língua e eu a coloquei no chão.
— Deixa de ser preguiçosa, Demi. Nem é tão longe assim. — foi andando até a calçada na minha frente.
— Preguiçosa? Você acha que é perto porque só vai até lá de carro. Ou no colo. — ela revirou os olhos.
— Eu vou andando e não vou reclamar. — arrumou a bolsinha, que combinava com o sapato, ao lado do corpo.
— Quero só ver. — encontrei com ela na frente de casa e estiquei a mão para Madison que logo a segurou.
Quando viramos a esquina da lanchonete, Maddie já não saltitava mais pelo cansaço, porém não reclamou como havia prometido.  O tempo estava claro, sem chuvas, mas também não estava muito quente. Assim que entramos no estabelecimento, me deparei com a lembrança de que aquele lugar era também de Sterling. Quis virar as costas e sair, porém eu tinha que superar um pouco aquilo, né? Ele mesmo não me perturbava quanto antes.
Caminhei com Maddie até uma mesa num canto afastado e logo uma menina morena e magrinha veio nos atender. Tiffany, que estava um pouco afastada, depois de nos notar ali, correu até nós e dispensou a menina, que sorriu carinhosa e foi atender outra mesa.
Levantei-me, a abracei e logo reconheci o perfume de morango. Os cabelos loiros pareciam um pouco mais longos e os olhos estavam cinza. Assim que sentei, vi minha filha ficar em pé na cadeira pra abraçar Tiffany e ri quando ela bateu de leve no nariz dela, que riu.
— Então lembraram que têm uma prima que mora na mesma cidade? — ela sorriu enquanto eu colocava Madison sentada de novo.
— Tá tudo tão corrido, Tiff. Confesso que se não fosse pela Maddie nós não iríamos sair de casa hoje. — Vi Madison concordar e pegar o cardápio que estava na mesa como quem sabia ler. 
— Imagino. Como estão seus pais? — ela sorriu fraco. Devolvi um sorriso doloroso e ela entendeu. — Hum, então, o que vão querer? — olhou pra Maddie que apontou para um lanche qualquer, só pelo brinquedo.
— Pode trazer dois desses. — Tiff assentiu anotando.
— Vem comigo escolher os brindes, Maddie? — concordei com a cabeça e ajeitei o cabelo dela, o colocando atrás da orelha. Ajudei Maddie a descer e ela deu a mão a Tiff, indo até o balcão escolher o lanche que queria.
Peguei o celular em minha bolsa, me certificando de que tínhamos tempo de lanchar sem pressa até meus pais chegarem em casa e notei uma mensagem de Selena, pedindo para passar na casa dela depois. Respondi que estava lanchando com Maddie e que assim que terminássemos iriamos direto para a casa dela.
Procurei de novo Maddie e a vi atrás do balcão com Tiff, que explicava alguma coisa pra ela sobre os refrigerantes. Sorri para Maddie que acenou rápido quando me viu e logo voltou a atenção para Tiff.
Depois de trocar algumas mensagens com Selena, Madison voltou a nossa mesa e lanchamos tranquilas. Ela me disse que Tiffany tinha a deixado mexer na máquina de refrigerantes e que queria uma daquelas para ela.
Roubei uma batata do seu lanche e ela riu pegando outra do meu. Parei de rir quando notei a figura conhecida do outro lado. Sterling tinha roupas escuras, o que o destacava um pouco do ambiente que era meio alegre de mais.
Eu não deveria estranhar, já que a lanchonete era da família dele. O grande problema é que ele encarava a nossa mesa de um jeito um tanto ameaçador e, por mais que eu negasse, eu acabei ficando um pouco assustada. Ele não seria capaz de fazer nada comigo ou Madison. Eu esperava que não.
— O que foi, Dem? — Maddie perguntou me fazendo a olhar. Neguei e tentei sorrir de novo. Ela virou o corpinho na direção de Sterling e voltou a olhar pra mim. — Ai, esquece esse bobo. — ela revirou os olhos voltando a mexer no lanche. — Ele não vai deixar a gente em paz nunca? — perguntou realmente chateada.
— Ele já deixou a gente em paz, Mad. — disse, mas na verdade eu queria acreditar naquilo.
— To vendo. — disse — Eu to com medo dele, Dem. — fez bico.
— Não precisa, ele não é maluco para encostar em você. Ok? — ela assentiu.
— Liga para o JJ buscar a gente?
— Perturbar o Joe por isso, Maddie? – ela fez bico.
— Vai que ele está por aqui por perto. — deu de ombros e riu. Algo me dizia que aquilo tinha sido um tipo de armação criado pela minha filha de três anos e eu cai como uma patinha. Mandei mensagem para Joe, e adivinha? Ele estava mesmo numa loja de instrumentos ali por perto. Não demorou muito e ele entrou na lanchonete, com uma capa de violão nas costas, calças jeans e camiseta xadrez. Acabei deixando um sorriso escapar por meus lábios e me peguei pensando no Joe de quatro anos atrás. Ele parou na porta parecendo procurar alguma coisa e parou o olhar em mim e Maddie. Sorriu quando nos viu e no meio do caminho foi interrompido por Madison o abraçando pelo joelho. Joe abaixou, a pegando com a mão livre, e continuou até nossa mesa. Sentou-se na cadeira onde Maddie estava e pôs o violão encostado no chão. A pequena continuou em seu colo.
— Como sabiam que eu estava aqui? — apontei pra Madison com o queixo e ela riu.
— Come batatinha, come. — ela disse rindo enquanto enfiava uma batata na boca de Joe, que não teve tempo nem de pensar.
— Você é terrível, Madison. — disse depois de comer o lanche que foi obrigado.
— Isso é bom? — levantou a sobrancelha. Joe fez careta.
— Eu não sei. Pergunta para Demi, ela te conhece há mais tempo que eu. — E põe tempo nisso, meu caro.  Antes mesmo dela vir ao mundo.
— Ela vai começar a rir da minha cara porque eu não sei o que é isso. — deu de ombros e Joe olhou pra mim sorrindo. — JJ, você tem que ver os brindes que eu ganhei hoje no lanchinho.  — ela pulou do colo dele e veio até mim, pedindo minha bolsa. Virei para ela, que abriu e pegou os brinquedos que tinha ganhado.
— Você não vai querer pedir nada? — perguntei a ele que negou. Madison pediu colo de novo para Joe.
— Meu estômago não está muito bom hoje. — fez careta e eu assenti. Madison o olhou assustada. — Nada sério, Mad. Só comi alguma coisa que me fez mal. — ela assentiu quieta.  — Então, resolveram sair para comer fora hoje? — ele brincou com o cabelo de Madison que estava soltando da maria chiquinha.
— Isso se chama preguiça de ir para cozinha. — ri e ele me acompanhou.
— Seus pais não estavam em casa? — neguei. — Sua mãe, como ela está? Já saiu da clínica, não é? — assenti.
— Ela parece bem, Joe. Sempre parece bem quando sai. O problema é nas semanas seguintes. — ele concordou.
— Ela teve alguma crise? — neguei e expliquei que no máximo só liberava algumas piadinhas de mau gosto — piadas essas que ele não precisava saber que eram sempre sobre o nosso namoro e o que resultou dele, que no caso seria Madison — e que depois da tentativa de me enforcar na cozinha, há algum tempo atrás, não houve mais agressões físicas.
— JJ, sabe o que eu queria? — Madison falou depois de tirar um pouco a concentração na tentativa de abrir o brinquedo. Peguei o plástico de sua mão o abrindo. Joe a perguntou o que era. — Aquela sua macarronada. — ela arregalou os olhos enquanto segurava o rosto dele pelas mãos — É a melhor coisa que eu já comi na vida.
— E nossa, que vida longa, hein, Madison. — revirei os olhos e Joe riu.
– Não sabia que gostava tanto. Senão já teria convidado vocês para jantar lá em casa. Eu vivo fazendo para comer com o papai e com o Nick. — Coloquei os brinquedos no centro da mesa, mas Madison não parecia estar muito preocupada com eles agora.
— Eu posso morar com você? — ela se virou para mim — Posso, Demi? — olhei para Joe sem jeito.
— Acho que o Joe não ia te aguentar um dia. — ela cruzou os braços emburrada. — Hey, não faz essa cara.
— Mas poxa, me deixa ficar com o JJ. — fez bico.
— E você vai deixar a Dem morando sozinha? — Joe armou a cara de assustado e ela rapidamente negou com o rosto. — Ah, sim. Pensei que tinha entendido errado. — ele fingiu estar aliviado.
— A gente podia morar todo mundo numa casa só, né? Eu, você, a Dem, a tia Sel, Nick também. Todo mundo na verdade. — ela disse.
— Imagina que loucura isso iria ser, né? — rimos os três. Fomos os três até o caixa, enquanto eu carregava o violão de Joe, ele vinha com Maddie no colo. Paguei Tiff que cumprimentou Joe com um sorriso educado. Tentei não dar muita bola para Sterling nos encarando, mas foi quase impossível. Nem Joe nem Madison perceberam e continuaram bem felizes brincando um com o outro.
A verdade era que ver os dois juntos me deixava triste e feliz. Eu queria sorrir, por saber que, mesmo sem saber, Joe como pai não tinha perdido uma época tão especial na vida de Maddie. Mas ao mesmo tempo queria chorar por saber o quanto era errado não contar a eles a verdade. Eu imaginava como ele ficaria descobrindo que era pai aos 18 anos. Eu tinha descoberto de uma forma um tanto quanto traumática, mas eu pelo menos soube desde o inicio. Eu não conseguia imaginar qual seria a reação de Joe. Mas sabia que um dia ele teria que saber. E que talvez esse dia não estivesse tão longe assim.

Ei, pessoal!!! Duda aqui.
Adorei todo mundo comentando, estamos felizes em saber que vocês ainda leem o blog e gostam da história (:
Não tenho muito o que dizer hoje, só que espero que gostem do capítulo e comentem muito porque isso deixa a gente feliz <3
Se cuidem, pessoal.
Abraços,
Duda