quarta-feira, 4 de junho de 2014

Chapter 53

 
Tão fácil perceber que a sorte escolheu você e você, cego, nem nota.

Acho que um dos momentos mais complicados do ser humano é quando o cérebro entra em conflito com o coração. Quando a razão entra em combate com o sentimento. Você sabe que o pensar é o certo. Mas o sentir é mais forte em todos em sentidos.
Enquanto estava sozinha, e pensava sobre a situação, Van sabia exatamente o que fazer. Mas era só ver Logan ou Zac, que tudo ia por água a baixo.  Logan a fazia sentir o amor. Zac a raiva. E ela tinha medo de que aquilo pudesse de alguma forma mudar. Não com Logan. Mas com o pai dele.
Quando chegaram à casa, seus pais já tinham voltado do mercado. Logan correu até o avô e não demorou muito e os dois estavam brincando de luta no meio da sala. Van sorriu para o pai e foi para seu quarto. Não tinha visto a mãe, mas também não queria a procurar. Ela provavelmente a encheria de perguntas e aquilo era a última coisa de que ela precisava.
Mas não poderia voltar atrás: já tinha aceitado o convite para o tal encontro com Zac. Era meio óbvio que ele não queria só conversar, e ela tinha medo do que poderia acontecer. Não da parte dele, e sim dela. Vanessa tinha o pequeno grande defeito de se deixar levar por sentimentos, e aquilo poderia ser julgado como algo de família.
Jogou-se em sua cama e ficou ali por um bom tempo. Ela era a típica adolescente que teve que crescer rápido demais. Que por parte gostava daquilo, mas em outras sentia o mundo em suas costas. Tinha prometido a si mesma que não pensaria mais sobre o assunto até a hora em que tivesse que olhar para a cara de Zac e ele dissesse exatamente o que achava daquilo.
Mas logo se pegou pensando em como as coisas estariam se a vida tivesse tomado outro rumo. Em como ela e Zac estariam caso a irmã não se metesse na relação deles. Talvez ela ainda estivesse em casa. Ou, mesmo que isso acontecesse, em como estariam Logan, Zac e Lily. Mas de nenhum jeito conseguia se imaginar sem Logan. Ele era seu sobrinho, irmão, filho.

Lily já se encontrava jogada no sofá da casa de Zac, enquanto ele mesmo não tinha dado as caras por ali. Ela tinha que aceitar, que agora a vida dela era daquele jeito. O único cara que ela acreditava já ter amado, de algum jeito era da irmã. O filho em que teve com ele, também era agora da irmã. E até os pais, que um dia já a tiveram como a filha favorita, provavelmente também se consideravam somente de Vanessa. Essa era a verdade. Bruta, crua e real. Mas a verdade.
Lily passou toda a vida, querendo que Vanessa a admirasse.
De um jeito torto, do seu jeito, mas queria que a irmã mais nova gostasse dela.
Mas isso nunca tinha acontecido.
Porque era para Lily admirar Vanessa. E aquilo estava começando a acontecer.
E logo quem é admirado, é alvo de inveja. Ela não queria aceitar, mas era aquilo que estava começando a fluir. E onde já se viu Lily? Sentir inveja da Vanessa. Logo da Vanessa.

Selena apareceu na porta da cozinha, ainda de pijama e pantufas. A mãe encontrava-se sentada em uma das quatro cadeiras da mesa quadrada, e encarava o jornal na sua frente.
— Bom dia — Selena disse, bocejando antes de andar até a geladeira olhando o que tinha lá dentro.
— Bom dia — Mandy respondeu tirando os olhos do jornal por alguns segundos — Você dormiu bastante.
— Passei a noite em claro — fechou a geladeira, indo até a mesa e enchendo um copo de leite. — Preocupada com a Demi. A Tia Di voltou ontem. — Mandy assentiu.
— Patrick não está em casa? — ela perguntou observando enquanto Selena sentava-se na cadeira de frente para ela. Sel assentiu, bebericando o leite.
— E eu até fico mais calma por isso, mãe. Mas o tio Patrick ama a tia Di, por mais que ele ame a Demi e a Maddie também. E imagino o quão complicado deve ser para ele. Você sabe. Ver o que ela faz com a Demi em relação à Maddie. — bebeu mais um pouco do leite antes de voltar a falar — Ainda não sei por que esse tratamento não funciona com ela — colocou os cotovelos na mesa, apoiando o rosto nas mãos.
— Cada pessoa reage de uma forma, Selena. — Sel deu de ombros — Eles demoraram muito para perceber que a Dianna estava doente.
— Eu não sei se aguentaria estar no lugar dele. Não sei mesmo.
— O Patrick sempre segurou a barra. Desde que a gente tinha a sua idade e fazíamos as besteiras que graças a Deus vocês não fazem — Mandy riu e Selena acompanhou a mãe — É normal que a Demi seja tão parecida com ele nesse aspecto. — Selena assentiu, terminando o leite e se levantando. Levou o copo até a pia. — Nick ligou. Pediu para avisar que teve que passar o final de semana com a mãe.
— Tudo bem. Ele comentou que talvez tivesse que viajar. — Mandy assentiu enquanto a filha lavava o copo.
— Gosto dele sabia? — Selena se virou sorrindo para mãe. Ela fez careta logo depois disso. — De verdade. Gosto do jeito como ele te trata. Denise deve se orgulhar dos filhos. Garotos como eles hoje em dia é difícil e ela tem três embaixo dela na árvore genealógica.
— Mãe, você quer o que? Que eu peça o Nick em casamento? — riu — Porque depois desse discurso.
— Não estou dizendo nada. Mas eu faria muito gosto sim. — Selena riu jogando o pano de prato em Amanda.

Eram quinze para as oito quando Vanessa cruzou a porta de casa. O ar do lado de fora estava gelado e ela tremeu um pouco. Tinha colocado Logan na cama fazia 15 minutos. O passeio à tarde com ela, mais a ida a sorveteria com os pais o tinham cansado ao ponto de dormir na hora que encostou a cabeça no travesseiro. O sono veio não dando chance ao menino de pedir para ela ler alguma história. Ela se sentiu um pouco incomodada com aquilo, já que estava fazendo de tudo para adiar a hora de sair. Quanto mais tempo passasse com Logan em casa, longe de Zac, melhor.
Ela não se lembrava de quase nada do que tinha conversado com Zac. Talvez fora o nervosismo ou sabe-se lá o que. Talvez pudesse se lembrar das palavras mais tarde, ou talvez não. As únicas palavras que não saiam de sua mente eram “Eu ainda gosto de você. Nunca deixei de gostar”. E eram exatamente as palavras que por mais que ela fingisse não mexer com ela, estavam a fazendo entrar no carro e dirigir a praça perto da escola. Por mais que negasse, qualquer pessoa que a analisasse em relação à Zac com um pouco mais de calma logo notaria que ela ainda o amava com todas as forças possíveis. As lembranças a invadiram quando atravessou a rua atrás da escola, à mesma aonde ia sempre quando mais novos quando saiam das aulas. Tudo começou quando Vanessa tinha quinze anos. Zac tinha dezoito e era o último ano na escola, assim como o de sua irmã. Lily era uma típica adolescente. Na época era líder do grêmio, e Vanessa se lembrava de que passava as noites estudando.
Aquele seria o tal ano que com a saída do grupo do grêmio da escola depois de seis anos, teriam de renovar os títulos. Ashley queria entrar na disputa se aproximando de Lily e se tornando amiga da mesma. Desde aquela época ela era obrigada a andar com Ashley e foi pouco tempo depois que conheceu Demi. Sempre que tinham as reuniões do grupo, na lanchonete atrás da escola, ela ia com Ashley e Selena, que na época já morava em Saint Augustine. Foi nessas saídas em grupos que Van acabou por namorar com Zac que fazia parte do grêmio porque aquilo tinha peso quando fosse entrar em uma Universidade.
Na época não era o que podia se chamar de um ótimo garoto, mas ela realmente não sabia que um dia ele poderia tornar o que tinha virado nos dias de hoje. Depois de seis meses de namoro, Ashley descobriu que Lily gostava do namorado da irmã. Disse que iria a ajudar em relação àquilo se ela a ajudasse a entrar no grêmio. O final da história era a que todos já sabem: Zac se relacionou com Lily, Vanessa terminou com ele, Zac e Lily tiveram um filho e o abandonaram com a família delas. Van não sabia o que tinha acontecido com a irmã para ter aceitado trair ela e muito menos pelo comportamento que adotou durante o tempo antes de engravidar. Elas eram como unha e carne.
Ela parou o carro assim que chegou. Observou a lanchonete, e as lembranças vieram como socos no estomago. Ela decidiu ficar mais um tempo ali antes de decidir entrar.

Lily entrou no lugarzinho que vivia com as amigas no tempo do Ensino Médio. Não tinha mudado muita coisa, e as paredes brancas e os pisos marrons continuam, como há quatro anos. Tinha algumas pessoas sentadas por ali, e ela sabia exatamente o porquê dele ter escolhido tal lugar para conversar com Van. Se até ela mesma era invadida pelas lembranças dali, como Vanessa, sempre tão frágil, não iria se deixar levar?
Ela deu uma rápida olhada pelo lugar, antes de ver Zac sentado numa pequena mesa em um dos cantos. Ele tinha as mãos em cima da mesa e as segurava uma a outra. Os cabelos loiros estavam espalhados como de costume, mas ela havia notado algo de diferentes neles.
Lily por um mísero segundo se sentiu mal por atrapalhar a vida da irmã, mas se uma coisa que tinha aprendido, é que durante a vida, se você não luta pelas coisas que quer e acredita você nunca irá tê-la. Nada vem de graça, e ela já tivera diversas experiências daquilo.
Caminhou até a mesa e parou atrás da cadeira contrária a qual ele estava sentado. Zac confundiu os perfumes e acreditou ser Van. Deixou claro em sua expressão que ter Lily ali era a última coisa que esperava. Os cabelos enrolados e cheios estavam acompanhados de calças jeans, blusa branca e a inseparável jaqueta preta de couro. Ela deixou um sorriso triunfante e até um pouco zombeteiro brincar nos lábios.
— Opa! Acho que não era eu que você estava esperando, não é? — ela sorriu largamente.
— O que está fazendo aqui? — resmungou entre dentes a fuzilando com os olhos.
— Vim ver meu amorzinho, oras. — ela continuava com o sorriso de deboche no rosto, o que aumentava a raiva de Zac cada vez mais.
— Sai, Lily. — reclamou.
— Poxa, a gente tem tanta coisa para conversar. — fez bico e logo depois riu.
— Sua mãe não lhe ensinou que não devemos ir onde não somos bem vindos? — dessa vez ele riu com deboche, sabendo que tinha conseguido pegar em algum ponto fraco dela.
— Por que quer que eu saia? Está esperando alguém? — Ela não deixou se demonstrar afetada. Lily sentou-se a frente de Zac que revirou os olhos. Pôs os cotovelos apoiados na mesa e segurou o rosto com as mãos. Sorriu. — Deve ser alguém importante, você até tomou banho. — ela riu vendo a feição de Zac de raiva para nervosismo. Vanessa poderia chegar a qualquer momento. — Ah, vai lá, acho que ela merecia coisa melhor, né não? Esse lugar fede a alunos do colegial.
— Não te interessa. O que quer aqui? — ele perguntou baixo. — Disse para não me infernizar.
— É a Vanessa. Não é, Zac? — perguntou, ele encarou a mesa segurando-se para não perder o controle — Fala, Zachary! — gritou batendo na mesa, chamando a atenção das outras pessoas que estavam ali.
— Para de gritar, Lily. — pediu baixo.
— Não paro de gritar até me falar o que veio fazer aqui. — Zac expirou pela boca, cansado. Levantou e a puxou pelo braço.
— Me solta ou eu grito mais. — ela ameaçou, ele soltou o braço dela, parando para olhá-la.
— A gente pode conversar lá fora? — Lily pensou em fazer piada, mas por fim apenas assentiu. Zac foi até a porta da lanchonete sem se virar para ver se ela o seguia. Assim que saiu escutou o som das botas de Lily descendo as escadas logo depois dele. Ele se virou para ela, ficando de costas para rua. Pôs as mãos nos bolsos e esperou ela falar. — Não tenho tanto tempo assim Hudgens.
— Como se sente por saber que a garota que você magoou para o resto da vida, carrega o mesmo sobrenome da que você engravidou? — ela cuspiu de uma vez. Zac a encarou sem reação. Era exatamente o que ele tinha feito, mas ninguém nunca tinha jogado essas palavras na cara dele. — Não responde. — ela riu fraco — Você acha que ela ainda sente alguma coisa por você? Você estragou a adolescência dela Zachary, você a trocou pela irmã. E como se isso não bastasse você ainda largou com ela uma criança que ela não tinha obrigação nenhuma de cuidar.
— Você fala isso como se só eu tivesse culpa, não é Lily? Você a traiu primeiro, você também largou o seu filho com ela. — disse.
 Nosso filho. — o corrigiu — E você não tem noção do quanto eu me arrependo de ter feito isso.
— Oh coitada, ela se arrepende de ter feito a irmãzinha dela sofrer. Poupe-me Lily. — eles ficaram em silêncio por algum tempo, e Lily tremeu quando um vento passou por ali.
— O que aconteceu com você? Você não era assim no colégio. — falou baixo.
— A mesma coisa que aconteceu com você — disse — E não venha bancar a vítima Lily. Foi você que foi atrás de mim. Foi você que me separou da Vanessa. Eu nunca deixei de gostar dela.
— Se você gostasse mesmo dela como diz, não tinha a largado. — respondeu — Até hoje não sei o que ela viu em você. Muito menos o que eu vi. — riu com raiva — Mas é como dizem não é? A gente não manda no coração. — Zac gargalhou.
— Por favor, Lily, você não vai conseguir me comprar com esse showzinho. Deixa de ser ridícula. Por que voltou de repente? É dinheiro que você quer? — riu de novo.
— Eu voltei por você e pelo Logan. — Zac riu.
— Tá, já teve seus cinco minutos de fama. Pode ir embora.
— Você acha que eu iria abandonar uma criança se eu não amasse você? Eu larguei minha família, minha vida aqui, tudo por você. — ela sentiu lágrimas surgirem em seus olhos.
— Lily... —ela o cortou.
— Cala a boca! — gritou — Você estragou minha vida. Fez eu me afastar de todo mundo que me queria bem para fugir com você. E eu ainda te amo. E você não imagina o quanto eu me odeio por isso. — E antes que os dois pudessem pensar em alguma coisa, Lily o beijou. Zac ficou surpreso com o que ela fez, mas acabou correspondendo. O beijo foi urgente e desesperado. Sabiam que os dois queriam aquilo. 
O que eles não sabiam, era que alguém tinha presenciado parte da cena do outro lado da rua.

E aí, galerinha? Tudo suave?
Eu não tenho muito o que dizer, só que esses dias eu fiz um banner bonitinho e provavelmente amanhã à noite eu vou trocar todo o layout do blog.
Nós temos algumas coisas escritas pros próximos capítulos, então é só questão de vocês comentarem mesmo (sem pressão q), só 5 pessoas comentaram no último capítulo e nós estávamos esperando mais alguns pra postar, mas enfim. >>>>>Respostas 52
É isso aí, divirtam-se, estudem, não quero ninguém de recuperação u.u

Abraços <3
Duda