quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Chapter 55


“Pense em quanto amor vem sendo desperdiçado”

Demi

             Depois da conversa com Vanessa era como se eu mesma tivesse mexido em todos os bandaids que eu tinha colocado na ferida.  A culpa que eu sentia por toda aquela mentira me acertou em cheio e eu queria deitar e chorar novamente.  Talvez tivesse feito isso mesmo, se Maddie não estivesse sentada do meu lado na mesa terminando de tomar seu suco.
A vontade era de correr até a casa de Joe e dizer pra ele que eu ainda o amava com todas minhas forças e que tínhamos uma filha juntos.  A nossa Maddie.
Mas eu sabia que não podia. E eu não iria estragar tudo porque não aguentava guardar o segredo, que no fim era mais culpa minha do que de qualquer outra pessoa.      
— Demi? — Maddie me chamou e eu olhei-a. Ela encarava o restante do suco que tinha em seu copinho e parecia concentrada naquilo. — Eu estava pensando numa coisa. — ela me olhou.
— Posso saber no que estava pensando? — ela assentiu. Sorri fraco pra ela como quem pedia pra continuar.
— Você não acha que eu já posso ter uma biciquéta? — acabei rindo com o erro e ela fechou o rosto me fazendo voltar ao normal.
— Opa, desculpa. — ela me deu língua — Mas porque a mocinha quer uma bicicleta? — bati o dedo de leve na ponta do nariz dela.
— Para andar, ué. — revirou os olhos. Levantei a sobrancelha esperando a resposta esperada. — Não sei, eu queria ter uma. Você pode me ensinar a andar, ou, então, a tia Sel... — “Ou o Joe” pensei. — Ou o JJ, né? — completou e, pela sua feição, ele foi sua primeira opção desde o começo.
— A gente pode pensar nisso. Mas você vai ter que usar a de rodinhas primeiro, tá? — ela abriu a boca parecendo indignada. — Todo mundo já usou com rodinhas, Maddie.
— Até você? — assenti — A tia Sel e o JJ também?
— A Tia Sel e o Joe também. — mexi no cabelo dela tentando arrumar uns fios que estavam para o alto. — E olha que a Selena demorou bastante para aprender. Se for olhar muito bem, ela não sabe fazer isso até hoje. — Maddie gargalhou jogando a cabeça pra trás e eu apenas sorri olhando-a.


Vanessa

Por que a gente simplesmente não se apaixona por quem nós queremos? Por que isso simplesmente não some quando você não quer mais saber da pessoa?
A dor era tanta em meu peito que eu poderia a comparar a um pedaço de papel pegando fogo lentamente.  Eu já tinha o coração quebrado e com o tempo eu tentei juntar os pedaços. Eu juro que tentei. E estava conseguindo viver deste jeito até ele voltar.
Eu sempre iria me perguntar por que e para que ele voltou. Eu não conseguia mais acreditar que era por minha causa, ou até por Logan.
Não posso dizer que não sei por que tinha ido até aquela lanchonete, porque eu sabia. Eu fui lá pelo simples fato de querer ouvir alguma coisa da boca dele. Mesmo que fosse mentira. Eu só não queria ter que aguentar aquilo sem Zac ter me dito alguma coisa. Eu acreditei fielmente que poderia seguir mesmo com uma desculpa qualquer dele.
Mas ver ele com outra menina foi como voltar a sete anos atrás. Lembrar-me das malditas lembranças que eu demorei tanto para conseguir soterrar e que, na hora em que vi a cena, vieram juntas e pareciam me socar por todos os lados.
Da primeira vez que nos falamos. Do nosso primeiro beijo.  De quando fugíamos para aquela porcaria de lanchonete nas aulas vagas. De quando Ashley me disse que tinha o visto com Lily. De todo o tempo que eles ficaram juntos, até quando Lily me contou que estava grávida, pedindo desculpas e tudo mais. Quando ela sumiu de casa e deixou uma carta me pedindo pra cuidar de Logan como se fosse meu. Porque essa era a verdade.
Entrei em casa em silêncio e agradeci imensamente por não ter encontrado com meus pais no caminho até o quarto de Logan. Abri a porta de leve e, para quem só queria ter certeza de que ele estava dormindo, acabei me sentando na ponta de sua cama e mexendo em seus cabelos. Ele era a cópia perfeita de Zac. Sem tirar nem pôr. A única coisa que tinha de nossa família era os cabelos que eram castanhos, mesmo assim puxados para o dourado lembrando os do pai.
Saí do quarto de Logan, caminhando em silêncio até o meu. Encostei a porta, joguei a bolsa que estava com minha roupa da noite passada em qualquer canto e fui até o banheiro tomando um banho rápido.  Joguei-me na cama e fechei os olhos, tentando pegar no sono e esquecer pelo menos um pouco a noite anterior.
               

Demi

Eram quase 11 horas e meus pais ainda não tinham voltado de seja lá onde que eles tivessem ido.  Estava sentada no tapete da sala, Maddie tinha acabado de sair do banho e eu repartia o cabelo dela em dois.
Não vou mentir dizendo que estava a fim de ir pra cozinha, mas também não queria muito sair para comer. Mas minha digníssima filha tinha do nada lembrado da lanchonete de nossa prima e fazia mesmo algum tempo que eu não falava com a Tiffany ou a via.
Depois de terminar de pentear o cabelo de Madison, e a ajudar com os sapatinhos cor de rosa, terminei de pentear o meu e peguei uma bolsa qualquer jogando coisas que eu talvez fosse precisar.
Peguei Maddie no colo depois de trancar a porta e segui até o carro, mas a mesma bateu pé dizendo querer ir andando.
— Mas é um bom pedaço, Madison. Você não vai aguentar andar. — ela me deu língua e eu a coloquei no chão.
— Deixa de ser preguiçosa, Demi. Nem é tão longe assim. — foi andando até a calçada na minha frente.
— Preguiçosa? Você acha que é perto porque só vai até lá de carro. Ou no colo. — ela revirou os olhos.
— Eu vou andando e não vou reclamar. — arrumou a bolsinha, que combinava com o sapato, ao lado do corpo.
— Quero só ver. — encontrei com ela na frente de casa e estiquei a mão para Madison que logo a segurou.
Quando viramos a esquina da lanchonete, Maddie já não saltitava mais pelo cansaço, porém não reclamou como havia prometido.  O tempo estava claro, sem chuvas, mas também não estava muito quente. Assim que entramos no estabelecimento, me deparei com a lembrança de que aquele lugar era também de Sterling. Quis virar as costas e sair, porém eu tinha que superar um pouco aquilo, né? Ele mesmo não me perturbava quanto antes.
Caminhei com Maddie até uma mesa num canto afastado e logo uma menina morena e magrinha veio nos atender. Tiffany, que estava um pouco afastada, depois de nos notar ali, correu até nós e dispensou a menina, que sorriu carinhosa e foi atender outra mesa.
Levantei-me, a abracei e logo reconheci o perfume de morango. Os cabelos loiros pareciam um pouco mais longos e os olhos estavam cinza. Assim que sentei, vi minha filha ficar em pé na cadeira pra abraçar Tiffany e ri quando ela bateu de leve no nariz dela, que riu.
— Então lembraram que têm uma prima que mora na mesma cidade? — ela sorriu enquanto eu colocava Madison sentada de novo.
— Tá tudo tão corrido, Tiff. Confesso que se não fosse pela Maddie nós não iríamos sair de casa hoje. — Vi Madison concordar e pegar o cardápio que estava na mesa como quem sabia ler. 
— Imagino. Como estão seus pais? — ela sorriu fraco. Devolvi um sorriso doloroso e ela entendeu. — Hum, então, o que vão querer? — olhou pra Maddie que apontou para um lanche qualquer, só pelo brinquedo.
— Pode trazer dois desses. — Tiff assentiu anotando.
— Vem comigo escolher os brindes, Maddie? — concordei com a cabeça e ajeitei o cabelo dela, o colocando atrás da orelha. Ajudei Maddie a descer e ela deu a mão a Tiff, indo até o balcão escolher o lanche que queria.
Peguei o celular em minha bolsa, me certificando de que tínhamos tempo de lanchar sem pressa até meus pais chegarem em casa e notei uma mensagem de Selena, pedindo para passar na casa dela depois. Respondi que estava lanchando com Maddie e que assim que terminássemos iriamos direto para a casa dela.
Procurei de novo Maddie e a vi atrás do balcão com Tiff, que explicava alguma coisa pra ela sobre os refrigerantes. Sorri para Maddie que acenou rápido quando me viu e logo voltou a atenção para Tiff.
Depois de trocar algumas mensagens com Selena, Madison voltou a nossa mesa e lanchamos tranquilas. Ela me disse que Tiffany tinha a deixado mexer na máquina de refrigerantes e que queria uma daquelas para ela.
Roubei uma batata do seu lanche e ela riu pegando outra do meu. Parei de rir quando notei a figura conhecida do outro lado. Sterling tinha roupas escuras, o que o destacava um pouco do ambiente que era meio alegre de mais.
Eu não deveria estranhar, já que a lanchonete era da família dele. O grande problema é que ele encarava a nossa mesa de um jeito um tanto ameaçador e, por mais que eu negasse, eu acabei ficando um pouco assustada. Ele não seria capaz de fazer nada comigo ou Madison. Eu esperava que não.
— O que foi, Dem? — Maddie perguntou me fazendo a olhar. Neguei e tentei sorrir de novo. Ela virou o corpinho na direção de Sterling e voltou a olhar pra mim. — Ai, esquece esse bobo. — ela revirou os olhos voltando a mexer no lanche. — Ele não vai deixar a gente em paz nunca? — perguntou realmente chateada.
— Ele já deixou a gente em paz, Mad. — disse, mas na verdade eu queria acreditar naquilo.
— To vendo. — disse — Eu to com medo dele, Dem. — fez bico.
— Não precisa, ele não é maluco para encostar em você. Ok? — ela assentiu.
— Liga para o JJ buscar a gente?
— Perturbar o Joe por isso, Maddie? – ela fez bico.
— Vai que ele está por aqui por perto. — deu de ombros e riu. Algo me dizia que aquilo tinha sido um tipo de armação criado pela minha filha de três anos e eu cai como uma patinha. Mandei mensagem para Joe, e adivinha? Ele estava mesmo numa loja de instrumentos ali por perto. Não demorou muito e ele entrou na lanchonete, com uma capa de violão nas costas, calças jeans e camiseta xadrez. Acabei deixando um sorriso escapar por meus lábios e me peguei pensando no Joe de quatro anos atrás. Ele parou na porta parecendo procurar alguma coisa e parou o olhar em mim e Maddie. Sorriu quando nos viu e no meio do caminho foi interrompido por Madison o abraçando pelo joelho. Joe abaixou, a pegando com a mão livre, e continuou até nossa mesa. Sentou-se na cadeira onde Maddie estava e pôs o violão encostado no chão. A pequena continuou em seu colo.
— Como sabiam que eu estava aqui? — apontei pra Madison com o queixo e ela riu.
— Come batatinha, come. — ela disse rindo enquanto enfiava uma batata na boca de Joe, que não teve tempo nem de pensar.
— Você é terrível, Madison. — disse depois de comer o lanche que foi obrigado.
— Isso é bom? — levantou a sobrancelha. Joe fez careta.
— Eu não sei. Pergunta para Demi, ela te conhece há mais tempo que eu. — E põe tempo nisso, meu caro.  Antes mesmo dela vir ao mundo.
— Ela vai começar a rir da minha cara porque eu não sei o que é isso. — deu de ombros e Joe olhou pra mim sorrindo. — JJ, você tem que ver os brindes que eu ganhei hoje no lanchinho.  — ela pulou do colo dele e veio até mim, pedindo minha bolsa. Virei para ela, que abriu e pegou os brinquedos que tinha ganhado.
— Você não vai querer pedir nada? — perguntei a ele que negou. Madison pediu colo de novo para Joe.
— Meu estômago não está muito bom hoje. — fez careta e eu assenti. Madison o olhou assustada. — Nada sério, Mad. Só comi alguma coisa que me fez mal. — ela assentiu quieta.  — Então, resolveram sair para comer fora hoje? — ele brincou com o cabelo de Madison que estava soltando da maria chiquinha.
— Isso se chama preguiça de ir para cozinha. — ri e ele me acompanhou.
— Seus pais não estavam em casa? — neguei. — Sua mãe, como ela está? Já saiu da clínica, não é? — assenti.
— Ela parece bem, Joe. Sempre parece bem quando sai. O problema é nas semanas seguintes. — ele concordou.
— Ela teve alguma crise? — neguei e expliquei que no máximo só liberava algumas piadinhas de mau gosto — piadas essas que ele não precisava saber que eram sempre sobre o nosso namoro e o que resultou dele, que no caso seria Madison — e que depois da tentativa de me enforcar na cozinha, há algum tempo atrás, não houve mais agressões físicas.
— JJ, sabe o que eu queria? — Madison falou depois de tirar um pouco a concentração na tentativa de abrir o brinquedo. Peguei o plástico de sua mão o abrindo. Joe a perguntou o que era. — Aquela sua macarronada. — ela arregalou os olhos enquanto segurava o rosto dele pelas mãos — É a melhor coisa que eu já comi na vida.
— E nossa, que vida longa, hein, Madison. — revirei os olhos e Joe riu.
– Não sabia que gostava tanto. Senão já teria convidado vocês para jantar lá em casa. Eu vivo fazendo para comer com o papai e com o Nick. — Coloquei os brinquedos no centro da mesa, mas Madison não parecia estar muito preocupada com eles agora.
— Eu posso morar com você? — ela se virou para mim — Posso, Demi? — olhei para Joe sem jeito.
— Acho que o Joe não ia te aguentar um dia. — ela cruzou os braços emburrada. — Hey, não faz essa cara.
— Mas poxa, me deixa ficar com o JJ. — fez bico.
— E você vai deixar a Dem morando sozinha? — Joe armou a cara de assustado e ela rapidamente negou com o rosto. — Ah, sim. Pensei que tinha entendido errado. — ele fingiu estar aliviado.
— A gente podia morar todo mundo numa casa só, né? Eu, você, a Dem, a tia Sel, Nick também. Todo mundo na verdade. — ela disse.
— Imagina que loucura isso iria ser, né? — rimos os três. Fomos os três até o caixa, enquanto eu carregava o violão de Joe, ele vinha com Maddie no colo. Paguei Tiff que cumprimentou Joe com um sorriso educado. Tentei não dar muita bola para Sterling nos encarando, mas foi quase impossível. Nem Joe nem Madison perceberam e continuaram bem felizes brincando um com o outro.
A verdade era que ver os dois juntos me deixava triste e feliz. Eu queria sorrir, por saber que, mesmo sem saber, Joe como pai não tinha perdido uma época tão especial na vida de Maddie. Mas ao mesmo tempo queria chorar por saber o quanto era errado não contar a eles a verdade. Eu imaginava como ele ficaria descobrindo que era pai aos 18 anos. Eu tinha descoberto de uma forma um tanto quanto traumática, mas eu pelo menos soube desde o inicio. Eu não conseguia imaginar qual seria a reação de Joe. Mas sabia que um dia ele teria que saber. E que talvez esse dia não estivesse tão longe assim.

Ei, pessoal!!! Duda aqui.
Adorei todo mundo comentando, estamos felizes em saber que vocês ainda leem o blog e gostam da história (:
Não tenho muito o que dizer hoje, só que espero que gostem do capítulo e comentem muito porque isso deixa a gente feliz <3
Se cuidem, pessoal.
Abraços,
Duda